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Comic Con Paraguai reúne multidão e celebra nova geração de quadrinhos

Neste sábado, 10 de outubro, a Comic Con Paraguai abriu sua programação no Centro de Convenções Mariscal com filas que se estenderam bem antes da abertura dos portões. Público de todas as idades, muitos caracterizados como seus personagens favoritos, deu o tom do primeiro dia de um evento que já se consolidou como o principal encontro da cultura pop no país.

Crescimento de uma comunidade antes pequena

O jornalista e escritor Andrés Colmán Gutiérrez, um dos participantes do evento, destacou o contraste entre o cenário atual e o de duas décadas atrás, quando a comunidade de quadrinhos no Paraguai era reduzida. "Me impressionou ver tanta gente formando fila para entrar em um evento cultural", comentou. Para ele, a presença maciça de crianças, jovens e adultos fantasiados reflete também uma mudança cultural: o cosplay, na sua visão, ajuda a romper a vergonha e certos tabus. "Para mim é uma festa", resumiu.

Colmán Gutiérrez atuou como moderador de um painel de ilustradores ao lado da quadrinista alemã Mia Oberländer e de artistas paraguaios, um encontro que reuniu diferentes trajetórias e gerações. Segundo ele, essa diversidade também aparece na produção local, onde convivem propostas inspiradas no mangá e estilos de desenho mais clássicos. O jornalista valorizou especialmente a presença de mulheres jovens entre roteiristas, desenhistas e ilustradoras: "Estão criando uma nova escola do quadrinho paraguaio", afirmou.

Ele também citou o crescimento do Prêmio Robin Wood, que chega à sua terceira edição reconhecendo novos criadores, além da publicação na Itália de novas histórias estreladas por personagens de Wood, produzidas por artistas paraguaios, argentinos e uruguaios. "Há 20 anos éramos cinco gatos pingados fazendo quadrinhos. Hoje há toda uma geração fazendo isso", resumiu.

Expositores, grupos temáticos e ação solidária

A convenção também reuniu expositores e apresentadores. Antonio Fuertes Arcondo, conhecido como Anfuar, participou pela segunda vez nesse duplo papel. Em seu estande da Javorai Geek, apresentou o Warhammer, jogo de tabuleiro que descreveu com humor como uma proposta "muito nerd" e de grande escala. Fuertes destacou a empolgação do público e a presença de grupos como a Legião 501 Outpost Star Wars Paraguai. "Todos os geeks, nerds, CDFs estamos sempre super empolgados com a Comic Con", declarou.

A Legião 501, que reúne fãs caracterizados como personagens do lado sombrio de Star Wars, aproveitou o encontro para divulgar suas ações solidárias, que incluem arrecadações e visitas a instituições de assistência e hospitais. Um dos integrantes veio da Argentina; o restante do grupo presente na convenção é paraguaio. Os trajes combinam peças feitas localmente com outras produzidas por impressão 3D ou trazidas do exterior - o couro para botas e outros acessórios, segundo relataram, pode ser conseguido com artesãos paraguaios.

Cosplayers contam o que os motiva

Allan Mateus Bettancourt e Katherine vestiram Link e Zelda, de The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom. Allan notou mais público, cosplayers e energia em relação à edição anterior. Katherine incentivou quem sente timidez: "Sempre é preciso se animar. É algo bonito; compartilha-se muito com as pessoas."

Vindo de Misiones, na Argentina, o professor de Educação Artística Esteban se apresentou como Deadpool, fantasia sugerida por seus próprios alunos, e adiantou que no domingo voltaria com outro figurino. Javier Benítez interpretou Tengen Uzui, de Demon Slayer, e destacou o vínculo entre anime e leitura por meio do mangá. Sebastián Ramírez, que na primeira edição vestiu o Capitão América, desta vez optou por Obi-Wan Kenobi, enquanto Rocío Bonn deu vida a Baby Doll, do filme Sucker Punch. Para ambos, o evento funciona como espaço de pertencimento e troca entre fãs.

A Comic Con Paraguai segue neste domingo, 11 de outubro, a partir das 14h, no Centro de Convenções Mariscal, com novos painéis, atividades de cosplay, videogames e propostas voltadas aos seguidores da cultura pop.